sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A MAGNIFICÊNCIA

A MAGNIFICÊNCIA

(Megaloprépeia)

“(...) Só a busca do conhecimento
poderá nos tornar homens
livres de todo preconceito e de toda a servidão,
pelo triunfo do direito e da verdade (...)”.
(Muniz, A.O.A. Novo Manual do Rito Moderno, 2007)

Aristóteles, em Ética a Nicômaco, Livro IV – nos convida a refletir sobre as Virtudes Morais.
Para tal discussão, constrói algumas disposições, ou predisposições de caráter, tecendo sobre seus efeitos nos homens em suas ações cotidianas. Nos fala sobre o homem Liberal, o pródigo, o magnificiente, o virtuoso, o vaidoso, o colérico entre outros.

Me disponho a ressaltar, de forma sucinta e com livre transcrever, a disposição de caráter que Aristóteles chama de “a coroa das virtudes”, a “magnamidade”.

É pelos atos que praticamos, nas relações com os homens, que nos tornamos justos ou injustos. Por isso, faz-se necessário estar atento para as qualidades de nossos atos; tudo depende deles, desde a nossa juventude existe a necessidade de habituar-nos a praticar atos virtuosos.
Ao nosso estudo, não interessa tanto investigar o que é a virtude, mas, estudar a virtude para tornar-nos bons.

Também nas virtudes, o excesso ou a falta são destrutivos, porque a virtude é mais exata que qualquer arte, pois possui como atributo o meio-termo – mas é em relação à virtude moral; é ela que diz respeito a paixões e ações, nas quais existe excesso, carência e meio-termo. O excesso é uma forma de erro, mas, o meio termo é uma forma digna de louvor; logo, a virtude é uma espécie de mediana.

Conquanto, cabe frisar que é meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta. Mas, nem toda ação e nem toda paixão admitem meio-termo; há algumas ações ou paixões que implicam em maldade, como a inveja. Elas são más em si mesmas, nelas não há retidão, mas erro. É absurdo procurar meio-termo em atos injustos; do excesso ou da falta, não há meio-termo.

Como nossa tarefa de estudo das virtudes tem como resultado a ação, e não o conhecimento da virtude é necessário frisar a prática dos atos. É pela prática dos atos justos que se gera o homem justo, é pela prática de atos temperantes que se gera o homem temperante; é através da ação que existe a possibilidade de alguém tornar-se bom.

Reproduzo então, algumas características desta disposição, para que possamos refletir sobre nossas próprias disposições e ações.

Afinal o que é ser “magnâmico”?

“Para ser “magnâmico” é necessário possuir um caráter bom e nobre. O homem magnâmico conduz e dirige sua conduta pautada pela honra, é moderado no que diz respeito ao poder e a riqueza. É característico não pedir nada ou quase nada, mas prestar auxílio de bom grado e adotar uma atitude digna em face das pessoas”;

“Deve ser franco nos seus ódios e amores (porquanto ocultar os seus sentimentos, isto é, olhar menos à verdade do que a opinião dos outros, é próprio de um covarde); e deve falar e agir abertamente. O magnânimo expressa-se com franqueza por desdém e é afeito a dizer a verdade”;

“Deve ser incapaz de fazer com que sua vida gire em torno de um outro, a não ser de uma amigo; pois isso é próprio de um escravo, a daí o serem servis todos os aduladores que não respeitam a si mesmos”;

“Não é dado à admiração, pois, para ele, nada é grande”;

“Não guarda rancor por ofensas que lhe façam, já que não é próprio de um homem magnânimo ter a memória longa, particularmente no que toca a ofensas, mas antes revelá-las”;

“Não é dado a conversas fúteis, pois não fala sobre si mesmo nem sobre os outros, porquanto não lhe interessam os elogios que lhe façam nem as censuras dirigidas aos outros”;

“Quanto às coisas que ocorrem necessariamente ou que são de pouca monta, é de todos os homens o menos dado a lamentar-se ou a solicitar favores”;

“É ele o homem que prefere possuir coisas belas e improfícuas às úteis e proveitosas, pois isso é mais próprio de um caráter que basta a si mesmo”;

“Não é vaidoso, pois, aqueles que o são, ignoram a si mesmos. Os vaidosos aventuram-se a empreendimentos que não tardam a denunciá-los pelo que são. Adornam-se com belas roupas, ares afetados e desejam que suas boas fortunas se tornem públicas, tomando-as para assunto de conversa, como se desejassem ser honrados por causa delas”;

“É obsequioso, pois que procura ser agradável sem nenhum objetivo ulterior, não o faz com o fim de obter alguma vantagem em dinheiro ou nas coisas que o dinheiro pode comprar, desta forma seria um adulador, portanto desonroso”;

“Não é jactancioso, pois que não é considerado a arrogar-se de coisas que trazem glória, quando não as possui, ou arrogar-se mais do que possui”;

“Evitará a falsidade, inclinam-se mais a verdade. Aquele que arroga-se mais do que possui sem qualquer objetivo ulterior é um indivíduo desprezível (pois do contrário não se comprazeria na falsidade), mas parece ser antes fútil do que mau. E se o faz por dinheiro, ou pelas coisas que levam à aquisição de dinheiro, é um caráter ainda mais detestável”.

Para finalizar esta reflexão, atento para a importância de entendermos que há duas espécies de virtudes: as intelectuais e as morais. As virtudes intelectuais são o resultado do ensino, do estudo e por isso precisam de experiência e tempo. Mas as virtudes morais são adquiridas em resultado do hábito, do exercício, pois que não surgem em nós por natureza, mas as adquirimos pelo exercício. É neste exercício de homem livre que, pouco a pouco, iremos nos desvencilhar dos defeitos e das paixões, adquirindo as qualidades de um Maçom.

Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo de PAZ.

Um comentário:

nina disse...

Sua definição de magnificência está incompleta e altamente confusa. Para melhor entendimento do leitor, revise a coerência do que está sendo dito e organize-se melhor. Obrigada pela atenção.